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Esta interessante canção se chama "La Brabançonne" e constitui o atual Hino Nacional da Bélgica. O poema original completo é em francês, mas apenas a última estrofe da versão mais recente é usada como hino e foi traduzida também pro alemão e pro holandês. A primeira letra francesa foi escrita por Alexandre Dechet, mais conhecido como Jenneval (1830), e a melodia é de François Van Campenhout (também 1830).
Hypolite Louis Alexandre Dechet (1801-1830), dito Jenneval, foi um comediante e poeta de origem francesa, que compôs uma letra patriótica durante a Revolução Belga de agosto de 1830, a qual levou à cisão da Bélgica face aos Países Baixos. Inicialmente com texto louvando o monarca holandês por poder ser sábio o suficiente pra resolver o conflito, ela foi modificada em setembro pelo próprio Jenneval, junto com o médico, escritor, político e poeta Constantin-François Rodenbach (1791-1846), pra repudiar a repressão holandesa contra os insurgentes. O poeta francês acabou morrendo em outubro, ao defender em armas a independência da Bélgica.
François Van Campenhout (1779-1848) nasceu em Bruxelas e foi cantor de ópera, violinista, maestro e compositor. De sucessiva nacionalidade francesa, holandesa e belga, foi maçom, recebeu diversas honrarias reais belgas e teve direito a uma pensão vitalícia pela composição da melodia do hino. "La Brabançonne" só foi oficializada em 1860, mas não sem antes Charles Rogier (1800-1885), maçom, parlamentar e duas vezes primeiro-ministro, ter estabelecido um novo poema de sua autoria, julgando o anterior muito anti-holandês e não consensual.
A melodia era executada tão diferentemente entre diversos músicos que em 1873 uma partitura de Valentin Bender foi declarada oficial, e em 1921 apenas a última estrofe do texto de Rogier foi mantida no hino nacional. Contudo, apenas em 1938 oficializou-se a tradução dos versos em holandês, cujo autor desconheço. Como o hino da Suíça, a versão oficial da "Brabançonne" é poliglota (a estrofe está nas três línguas, ou pode ser cantada uma versão mista), sendo o alemão a língua da realeza belga, e o holandês tendo na Bélgica o nome de "flamengo". Existem outras versões não oficiais em francês, bem como uma tradução não oficial em valão, idioma românico local muito próximo do francês.
A canção de Jenneval recebeu inicialmente o título "La Bruxelloise", mudado depois pra "La Brabançonne", que pode ser traduzido em português como "A Brabantina" ou "A Brabançã", às vezes "Canção de Brabante". Refere-se à região histórica de Brabant (ou Brabante), que hoje abrange um território dividido entre o sul da Holanda e o norte da Bélgica. Desde o século 9, passou pelas condições de província do Império Carolíngio, condado, ducado, domínio da Espanha e da Áustria, e enfim dividida em duas províncias, uma da Holanda e outra da Bélgica. Em 1995 a belga foi dividida em Brabante Flamenga, Brabante Valã e Região de Bruxelas.
Eu baixei o áudio deste vídeo, que tem uma linda montagem com as três letras e cujo cantor desconheço: http://youtu.be/MZ5CwXCiBe0. Eu mesmo traduzi, montei o vídeo e legendei: assista duas vezes, lendo primeiro o original e depois a tradução! Eu tirei os textos da Wikipédia inglesa, e usei a tradução dela pra entender melhor o holandês. Na parte holandesa em que aparece "kracht" (força), o cantor diz "hart" (coração), mudança que aparece em algumas versões da letra na internet. Mas decidi manter "kracht" por ser o texto oficial. Seguem as letras:
Noble Belgique, ô mère chérie,
À toi nos cœurs, à toi nos bras,
À toi notre sang, ô Patrie !
Nous le jurons tous, tu vivras !
Tu vivras toujours grande et belle
Et ton invincible unité
Aura pour devise immortelle :
Le Roi, la Loi, la Liberté !
Aura pour devise immortelle :
Le Roi, la Loi, la Liberté !
O liebes Land, o Belgiens Erde,
Dir unser Herz, Dir unsere Hand,
Dir unser Blut, dem Heimaterde,
Wir schwören's Dir, o Vaterland!
So blühe froh in voller Schöne,
Zu der die Freiheit Dich erzog,
Und fortan singen Deine Söhne:
Gesetz und König und die Freiheit hoch!
O dierbaar België, o heilig land der vaad'ren,
Onze ziel en ons hart zijn u gewijd.
Aanvaard ons kracht en het bloed van onze adren,
Wees ons doel in arbeid en in strijd.
Bloei, o land, in eendracht niet te breken;
Wees immer uzelf en ongeknecht,
Het woord getrouw, dat g' onbevreesd moogt spreken:
Voor Vorst, voor Vrijheid en voor Recht.
Acabei de publicar, "O que somos, nas fontes da identidade europeia", sob a direcção de Philippe Conrad, do Instituto Iliade. Por Pierre-Guillaume de Roux, edição de 2018.
